domingo, dezembro 12, 2010

''... e não se esqueça de fazer tudo que pedir esse seu coração.''

            Sabe, sei que não me mandaste escrever nada. Sei que fui um louco, um insensato de acreditar que o sol poderia animar-se, que o mármore seria capaz de aquecer-se. Mas que quer, senhora-dona? Quando amamos, acreditamos no amor; além do mais, esta carta não será de toda perdida, uma vez que tenho a certeza de que irás lê-la!
            Mas responda-me, senhora: Onde encontrará um amor como o meu, um amor que nem o tempo, nem a ausência, nem o desespero de não tê-la em meus braços conseguiram extinguir; um amor que se contenta com um olhar, uma palavra ou a fita bege caída que lhe envolve os cabelos? Quer que eu diga como se vestia na primeira vez que a vi? Quer que lhe enumere cada um de seus adornos? Parece ainda que te vejo: estava sentada no banco da parada coletiva, trajando farda de poliéster e viscose, às pernas calça jeans azul-escura e aos pés, tênis preto com detalhes em rosa; à cabeça, um ornamento que amarrava os cabelos e às orelhas, meu deus, um parafuso de 5 centímetros extremamente esplendoroso. Fecho os olhos e a revejo tal qual a vi; torno a abri-los e vejo-a tal como está agora, cem vezes mais bela!
            E se a senhora pensa que é loucura viver alimentando toda esta paixão com tantas recordações, digo-lhe: elas são a minha felicidade, a minha riqueza, a minha ESPERANÇA! Cada recordação é um diamante que guardo em meu coração e o último que guardei foi o único toque de lábios que tivemos no dia 29 de maio deste ano. Por sinal, deixe-me descrever essa noite tão feliz, mas tão cruel: lembra-se de como estava bela e provocante? Que ar suave e perfumado trazia-te até mim, que céu estrelado iluminava nossas cabeças! Via-te ao longe junto a sua amiga, parecias correr de mim. Ao correr ao teu encontro, brilham-se meus olhos ao encontrarem-se com os seus, apontando para seu vívido sorriso. Tento beijar-te, mas nega-me a sensação de desejo maior, deixo-te ir. Mais tarde, dentro do local, encontro-te à minha frente com uma água fronte a teu rosto, agindo como uma barreira e, após dois ou três tempos, olhas para os lados e tasca-me um selo nos lábios. Naquele momento, fui o mais feliz dos mortais, acabando por quase enlouquecer.
            O que desejei dizer-lhe após aquilo seria quase que criminoso! Talvez a influência e o encanto daquela noite iludiram-me completamente ao saber do que eu viria saber depois...
            Sim, pensaste em escapar-me voltando para fora, mas eu não ousaria abandonar o tesouro cuja guarda meu coração me confiara. Ah! Que me importam os tesouros do mundo e os presentes oferecidos, arriscaria minha vida para vê-la um segundo, mesmo que neste sequer tocaste-lhe a mão. Constantemente venho deduzindo erroneamente, ouvindo e interpretando mal suas afirmações, fazendo desentoar o canto que pode atingir o timbre mais suave e excitante que já existiu.
            Sei que me ama, senhora! Certamente que sim. Por que Deus lhe daria os mesmos sonhos que me dá se não tu não me amaste? Teríamos os mesmo pressentimentos se as nossas vidas não estivessem ligadas pelo coração? Sei que me ama! Choraria por minha partida, se acontecesse? Então, tenho-lhe uma última coisa a dizer: se a morte não me abater, tornarei a vê-la no dia doze, dos namorados, nem que para isso tenha que vencer o mundo...

Cegamente apaixonado,
André Monteiro.

É, senhora, depois de tudo... cá estou, como estou e como sou:

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